Descrevo meu ponto de vista sobre a origem e construção do pensamento, sem, entretanto, ter qualquer orientação profissional ou faculdade à altura, mas fomentado por pesquisas filosóficas, psicanalíticas, religiosas e observações cotidianas.

Por esta advertência, antecipo cordialmente que o conteúdo proposto neste texto é de interesse exclusivamente filosófico, dedicado àqueles que apreciam explorar novos horizontes, ou perceberam uma ameaça cultural e intelectual devido à dimensão alcançada pela Ciência e pelos sistemas escolares ou universitários que creem poder substituir a Filosofia por disciplinas científicas.

Seria uma lástima a concretização desta tendência, no entanto, haveria possibilidade de mudar o rumo dos fatos?

A valorização das discussões e palestras seria uma boa opção didática. Já no meu ponto de vista, não vejo outra solução a não ser por uma nova e ousada estratégia que tem como objetivo de mudar todo o “DNA” da Filosofia. Reformulação e nova análise a tudo proposto. A solução estaria na Interação Filosófica: um aparelho cognitivo, assim como existe o aparelho digestivo, mas nesse sentido seria melhor chamá-lo de sistema.

Sistema cognitivo? Seria possível reformular o “DNA” da Filosofia? O que é uma Interação Filosófica?

Imaginemos a completa incompreensão do aparelho digestivo, sem qualquer conhecimento do que há no corpo humano, gerando um conceito fascinante e enigmático de algo nunca dissecado. Quem iria crer na existência de órgãos, vísceras e glândulas que trabalhariam em conjunto em prol da digestão dos alimentos?

A conclusão plausível seria de que o ato da digestão funcionasse com uma forma impar de organismo, composto simplesmente de um só órgão, responsável por tudo que fosse ingerido. Isto seria suficiente para sanar as dúvidas da imaginária anatomia humana, sem muito complicar, e o corpo humano teria duas propriedades para dar sentido à vida: o Ser e o seu exclusivo órgão digestivo.

A este fenômeno dariam o título de dualismo corpóreo.

E convencidos da coerência desta lógica, crentes de não haver melhor solução ao enigma, não haveria necessidade de lançar mão do dualismo corpóreo. Ir além desta premissa seria algo ilógico, inviável, complexo, desrespeitoso e inimaginável.

Por outro lado, esta teoria acarretaria em diversas incoerências se hipóteses mais aprofundadas fossem levantadas. Como consequência, em algum ponto desta jornada teórica os intelectuais desta pesquisa entrariam em contradição, resultando em extensas e infindáveis análises. A suposição sobre a existência do pâncreas seria incoerente com a possível existência dos rins, assim como haveria contradições entre a funcionalidade de recipientes imaginários, como da bexiga e o estômago.

Quanto mais suposições fossem levantadas, mais caótico o entendimento sobre a digestão. E não seria possível obter respostas concretas visto que a premissa máxima do dualismo corpóreo, e sua teoria de um único órgão digestivo, impediria adicionar outros elementos vitais ao corpo humano.

O mundo filosófico sobre a imaginária anatomia humana resultaria numa matéria de infindáveis análises comprometidas pela controvérsia, que poderia comprometer a qualidade didática desta filosofia.

Haveria uma forma de contornar esta situação?

A necessidade de propor uma interligação da qual demonstrasse que mesmo contraditórias as formas e funções dos órgãos imaginados, possibilitando a evidência de um sistema seria a melhor resposta. Nasceria por este conceito o aparelho digestivo, onde todos os órgãos e glândulas imaginadas seriam interligados de forma coerente, dando um fim às enigmáticas contradições anteriormente levantadas ao ato da digestão.

Pois bem, caro leitor, a construção de um sistema cognitivo, baseado no exemplo dado acima, é o objetivo que proponho nesta obra. E a Interação Filosófica é a união de teorias correspondentes ao comportamento humano, como numa conexão promovida por análises intelectuais já trabalhadas por filósofos da nossa história, em prol da edificação do proposto sistema.

Mas antes de aprofundar neste assunto, é necessário explicar a origem da hipótese sobra a Interação Filosófica: Trata-se da evolução intelectual que fez do animal, em sua história de milhares de anos, o atual homo sapiens.

Este ser primitivo, aqui intitulado de Hominídeo, será a ideia primeira deste estudo. A construção genética dos neurônios responsáveis pelo pensamento humano é consequência da evolução desta espécie, portanto, a compreensão total deste texto deve ter como ponto de partida a minha suposição sobre como evoluíram cognitivamente os hominídeos.

Também achei necessário, num segundo capítulo, citar as ações responsáveis pelo crescimento intelectual desta espécie, tirando-o da cultura tribal, nômade e primitiva, para o patamar referente a um sistema sociocultural que exigiu uma lenta mudança comportamental, dando ao sistema cognitivo construído pelo hominídeo a obrigação de se adaptar às regras culturais estabelecidas pelas primeiras sociedades.

Haverá, então, dois textos dedicados às fases evolutivas do ser humano. O primeiro, voltado à evolução cognitiva do hominídeo. E o segundo, a adaptação e transformação do hominídeo em homo sapiens.

Longe de regras dogmáticas ou critérios filosóficos, com mais de vinte anos de difusas interpretações e extensas pesquisas, busco apresentar um tema extremamente paradoxal e, ao mesmo tempo, capaz de unir contradições filosóficas irresolúveis, num sistema de unificação cognitiva em prol de um raciocínio amplo e repleto de opções subjetivas, dando ao indivíduo um leque de opções para direcionar seu comportamento e suas vontades.

Porém, esta teoria só poderá ser compreendida desde que o conceito de dualismo filosófico, teorias religiosas, psicanálise, ateísmo, monismo, entre outros, sejam temporariamente estacionados em prol de uma assimilação de qualidade. E numa última advertência, não há como comprovar categoricamente a veracidade de minhas suposições a não ser pelas interpretações dentro do âmbito lógico e filosófico.

No mais, bem vindo a quem busca vislumbrar inspirações e novos sentidos a acrescentar revelações ao conhecimento sobre si mesmo.

Wudson Silva (wudsondasilva@hotmail.com)